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culto medusa

a vida dos dias | escrito tem mais significado do que pensado

culto medusa

a vida dos dias | escrito tem mais significado do que pensado

26
Jan19

existence

a minha vida foi sempre vivida na busca do estado perfeito de realização. tenho de atingir algo a nível pessoal ou profissional, caso contrário sinto que fico estagnada. não me permito viver sem estar em paz comigo mesma. pois bem, acho que no momento atual da minha vida a coisa adensou-se: não páro de pensar no que quero fazer a seguir. 

 

gosto do que faço e adoro o sítio onde vivo mas... adorava poder ter um espaço para abrir, onde pudesse fazer algo completamente diferente. sempre tive o sonho de vender flores. antes de ir estudar psicologia queria escrever, numa redação. há dias em que me bastava servir fatias de bolo e um café. se tivesse um dom nas artes plásticas viveria disso, sem sombra de dúvida. andar pela serra algarvia fora a bater à porta dos velhotes que vivem a anos luz da civilização era - e é, às vezes, a cereja no topo do bolo.

 

se calhar esta indefinição é produto da desilusão, há um momento exato em que o mundo, o trabalho e as pessoas me fazem querer fazer o clássico "it's fuck this shit o'clock". quando se dá a mudança sinto uma realização enorme, depois fico expectante de como será a próxima. a ver vamos até onde me vai levar esta pressa.

 

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"esta insatisfação

não consigo compreender

sempre esta sensação

que estou a perder

tenho pressa de sair

quero sentir ao chegar

vontade de partir

pra outro lugar"

antónio variações

23
Jan19

we'll always have Derek

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não sou grande consumidora de televisão, nem vejo tudo o que queria ver. no entanto, estou muito feliz por uma amiga me ter falado na série Derek, escrita e protagonizada por Ricky Gervais (sim, o Ricky Gervais).

 

faltam-me as palavras para descrever o que sinto em relação a esta série. não é apenas um argumento que se passa num lar de idosos e a personagem principal - Derek - não é apenas um cuidador amoroso. são excertos de 20 minutos que acontecem a toda a hora, em todas as instituições de apoio à terceira idade. são as chegadas de uns, as partidas de outros, a espera por um dia diferente, a fragilidade amparada pelo tricot e pela chávena de chá e toda a filosofia inerente ao sentido da vida, que nos últimos momentos ganha luz própria. 

 

as histórias de "Derek" encontram eco na nossa vida: vivenciámos perdas de pessoas que nos são queridas, sentimo-nos tristes por não poder ter feito mais e melhor pelo bem-estar de alguém nos últimos momentos de vida e sentimos saudades. sentimos uma grande admiração por quem cuida bem dos nossos (e do que abdica em prol deles) e sentimos raiva por nos lembrarmos de quem cuida mal.

 

a velhice é efetivamente uma fase da vida que encerra muitos tabus. não consigo ainda imaginar como será a minha vida quando for velha, quem terei ao meu lado, se terei saúde, onde estarei... espero, acima de tudo, continuar a encontrar Derek's pela vida fora, pois eles são o paradigma da vida: dar amor.

 

esta série não é o típico drama-comédia, é chorar mais vezes do que rir, pelo menos eu não paro de chorar em cada episódio. há também que aplaudir de pé a interpretação de Ricky Gervais. aguardo as vossas opiniões ;)

16
Jan19

la despedida

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frida é uma das maiores referências artísticas. acho até redutor dizer isto. frida é para mim um amuleto. aprendi, através dela, a reformular a minha visão da vida. 

 

já sentiram, a dada altura da vossa vida, o impacto e a luminescência de um/a artista ou autor? parece que tudo o que se bebe a partir dele/a faz sentido. a frida foi um elemento catalisador numa altura muito própria da minha vida e vou poder dizer, sempre, que ela é também minha. 

 

uma das frases mais marcantes de frida kahlo é "onde não puderes amar, não te demores". embora estejamos formatados para dar amor de forma incondicional, esta foi das minhas aprendizagens mais sólidas que fiz aos 33 anos: a forma como nos entregamos ao Outro traz dissabores que apenas a maturidade pode ajudar a ultrapassar. já todos ouvimos falar sobre o fim de uma amizade e sobre quão penoso pode ser esse processo. pegando na história de vida de frida kahlo, a perceção do fim de uma amizade poderá ser equiparado ao acidente do autocarro, que joga um corpo para uma cama durante anos, apenas estabilizado por gesso e ferros.

 

a minha história é curta. tanto foi pensado e sentido que escrever sobre isso se torna seco, as palavras já seriam amargas, por estarem tão despidas de afeto. o que retenho pelo fim de uma amizade é a valorização do que sou, enquanto pessoa com personalidade e valores que traduzem uma história de vida própria. sinto que posso ter vivido uma vida inteira a dar com a falsa perceção do retorno, a contentar-me com aquilo que o Outro pode dar. não obstante a enorme desilusão que é constatar que a linha que era, até então, cozida pelas duas mãos se perdeu, sinto que ganhei lucidez sobre quem de facto importa e se preocupa. essa lucidez não surge à mesa, entre brindes, copos e sorrisos. surge na adversidade, quando estamos com uma mochila pesada para carregar sozinhos. 

 

hoje sinto-me altamente determinada a continuar a cultivar esta lucidez, a perceber ao longo da vida sobre o que é de facto importante. hoje consigo dizer que já sei onde não devo demorar-me ;)

 

 

14
Jan19

is music the answer or the question? #1

 

sou só eu que estou a ouvir esta música em loop nos últimos tempos? sem nunca ter acompanhado muito de perto a carreira do Dino D'Santiago, esta piece of art é para mim um dos grandes exemplares criados. admiro-lhe o orgulho pela sua cidade (quarteira), enquanto algarvia que sou, bem como lhe tiro o chapéu ao percurso cuidadosamente construído.

 

e lisboa, lisboa será sempre um porto de abrigo para onde tento, sempre que posso, submergir durante 2 ou 3 dias. tenho a sorte de poder tê-la a 3 horas de viagem - se fosse eu a conduzir poderiam ser mais ;) não sei o que me encanta mais, mas os dias de sol pelas ruas à volta do castelo e as noites frias desde o largo do carmo até ao chiado são dos mais belos postais mentais que guardo, com sons incluídos... é também morada de família, amigos e repositório urbano e edificado da atualidade em termos de arte. não obstante a beleza e os recursos que o porto apresenta, lisboa é, efetivamente, onde "formato o disco"...

 

de facto, o verso "de onde veio toda essa gente / eu não sei / dizem que tamos na moda" retrata bem a evolução da moldura humana lisboeta, que acolhe cada vez mais gente, está mais in e trendy, à medida que a habitação dá lugar a hostels e boutique hotels e os moradores estendem, contrariados, a passagem a turistas e investidores.

 

por outro lado, não terá sido em vão a filmagem de partes do videoclip na cova da moura, com a qual contrastam os brilhos e os ritmos da lisboa europeia, capital cosmopolita... será apenas na ótica da valorização das raízes? não vou entrar a fundo nesta questão, acho devemos interpretar a música do Dino com o nosso filtro...

 

"Vem, sente, sente, sente esta nova Lisboa

Sente, sente, sente esta nova Lisboa

Vem, sente, sente, sente esta quente Lisboa

Sente, sente, sente esta nova Lisboa

Qual é ideia? Qual é ideia? Mas qual é ideia? Qual é ideia?"

09
Jan19

Expresso e o cheiro do papel

tenho memórias do jornal Expresso desde os 15, 16 anos. adorava abrir o saco e explorar todos os cadernos. a revista foi sempre a minha preferida, seguida do caderno de emprego, que já se encontra diluído na secção de economia. economia, confesso, era - e é - o caderno que ficava por abrir... 

 

fazia colagens com recortes de imagens e colunas de críticas a autores que conhecia pela primeira vez mas tinham deixado uma semente para ir ler mais. com o passar dos tempos, fui-me distanciando um pouco do jornal, parecia que me sentia um pouco longe do nível de entendimento que era transmitido. ou o jornal solidificou o seu caráter erudito ou, efetivamente, fui eu que me demiti de continuar a ler e a investir na "oxigenação do cérebro"... confesso que o surgimento das redes sociais contribuiu para que eu deixasse o jornal e os livros para depois, erradamente.

 

eis que após algum tempo sem comprar o Expresso, no início deste ano - determinada a voltar aos hábitos de leitura (how convenient...) - fui procurá-lo e eis que encontro o novo saco, de papel, assinado pela artista plástica Joana Vasconcelos. procurando contribuir para o aumento das taxas de reciclabilidade, o Expresso deixou de distribuir o semanário no saco de plástico, substituindo-o por um saco, diga-se, digno de colecionador... 

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não sei se foi a beleza do saco - não apenas gráfica mas também simbólica -, mas o que é facto é que esta edição preencheu-me. não é que as notícias sejam as melhores, que não o são, mas o facto de ler o jornal de uma ponta à outra reativou em mim uma capacidade que estava adormecida: refletir e projetar futuros próximos, a nível político, social, ambiental... 

 

por outro lado, a revista continha temas que me dizem bastante - sociedade, saúde e inclusão social e arte -: a reportagem sobre bebés prematuros e os contextos sociais em que a saúde acentua as diferenças, sobre o atelier (gigante, em termos de organização) da Joana Vasconcelos ou sobre a cidade chinesa "em estado de coma", Ordos Kangbashi...

 

não sei se alguém quererá saber a minha opinião sobre o conteúdo de um jornal do sábado passado, mas não será essa a eterna questão de quem escreve um blog? ;)

 

03
Jan19

letting Laura go

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na senda do desprendimento do ano velho, sinto a necessidade de verbalizar sobre os pontos finais que ficaram por colocar. um deles prende-se com o facto de ter tido uma gravidez não evolutiva. com 33 anos, vivi 2018 com sobressaltos, incertezas e alguma incoerência. se por um lado sentia a necessidade de assentar arraiais e viver uma vida "normal", com todos os objetivos socialmente cumpridos (relação, trabalho, filhos), por outro lado as dúvidas sobre o que realmente desejava levaram-me a viver algumas ruturas emocionais.

 

descobri que estava grávida numa tarde em casa, com o meu namorado. o primeiro teste deu positivo e ainda hoje não consigo descrever a violência das emoções que me invadiram. oscilando entre a surpresa, felicidade e pânico, não consegui esconder do meu namorado o estado de choque. novo teste, positivo. nunca me hei-de esquecer os olhares que trocámos nessa tarde, será inesquecível o olhar dele, de tão feliz. 

 

a partir daí, as incertezas e incoerências associadas à busca do sentido em que me encontrava desapareceram. um filho traz, de facto, sentido à vida, imprime no nosso dia-a-dia algo parecido com a imortalidade, assegurando que nunca mais estaremos sós. tem lugar toda uma projeção da nova vida e imagina-se como será. o nome surgiu imediatamente: Laura. 

 

e é efetivamente pela parte bonita da gravidez que a sociedade se interessa. tudo gira em torno da cor do enxoval, da escolha dos nomes, dos conselhos para contornar enjoos e inchaços, mas nunca se fala da perda. pensamos sempre que não vai acontecer connosco, até porque não temos a noção exata da fragilidade do processo. os conselhos que me foram dados - "não contes a ninguém antes dos 3 meses" - não foram tidos nem achados, queria eu lá saber dessas superstições. o que é facto é que aconteceu. sem qualquer explicação plausível, presa por pinças "1 em  cada 3", "erros de cromossomas" e por aí adiante. 

 

é sobre este buraco que eu queria falar porque foi parca a informação de suporte que tive para me agarrar. ninguém fala sobre isto, a avaliar pela inexistência de testemunhos ou orientações parece que isto é um passeio no parque - diagnostica-se gravidez não evolutiva, tomam-se umas bombas e uns tempos depois tudo passa e "pode tentar novamente". fisicamente é como se o corpo explodisse em dor, emocionalmente é um coma temporário. questiona-se a ciência: são os bebés que escolhem não vir, por sentirem que não estamos preparados para recebê-los? 

 

no mar de dúvidas e desalentos, os dias vão passando mas nunca mais se esquece, é um luto porque havia alguém, um nome. não obstante o apoio recebido, o conforto advém da partilha de quem vivenciou o mesmo, não esqueço o impacto que o texto da Andreia Rodrigues teve em mim. hoje faço um grande trabalho interior para escudar os medos de que tal venha a acontecer novamente, espero um dia reler este texto com a certeza de um novo nome, que esteja - com todas as certezas e seguranças - a chegar. 

 

02
Jan19

2019, be simple but beautiful

não será o clássico dos clássicos iniciar um blogue no início de um ano? claro que sim, será sempre um daqueles clichés. contudo, e na onda da reflexão a que este momento nos obriga, pretendo aproveitar o que de mais positivo acontece, que é a necessidade de me renovar, reinventar e criar algo positivo para a minha vida. et voilà, sai um blogue que pretende ser um espelho dos meus dias. 

 

despeço-me de 2018 com esta música, que é a prova que do mau nasce algo bom... Há fases da nossa vida que nos atiram ao tapete para tomarmos consciência do que é importante e 2018 foi O Ano: perdas, desilusões mas, acima de tudo - e o melhor de tudo - a lucidez de quem sou e o que quero. A todos os que me acompanharam ao longo deste ano desejo o dobro do que desejo para mim - Ser feliz. Afinal é tudo o que importa... Feliz Ano Novo 😊 

 

 

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